Cerca de quinze
anos atrás escrevi um artigo com esse título e, no texto, citava a afirmação do
meu antigo professor de geologia econômica, que dizia mais ou menos o seguinte:
“o bom geólogo não é aquele pensa que sabe tudo, mas aquele que sabe onde
procurar quando precisa”. Em seguida eu também comentava sobre a aplicação
dessa afirmação a todas as profissões.
Os anos se
passaram e o raciocínio continua válido, embora sejam necessárias algumas
adaptações à nova realidade. Nesse alvorecer do terceiro milênio, a informação
e o conhecimento viajam em velocidades instantâneas e estão acessíveis a quase
todos, em tempo real. De Tóquio a Teresópolis, de Genebra a Jeremoabo, de Nova
Yorque a Nova Iguaçu, o planeta está conectado e todos interagem com todos, ou
quase.
Nesse contexto,
não basta saber “onde buscar” a informação (tudo se acha no Google e, se não
estiver no Google, não existe). É necessário, portanto, saber como filtrar os
milhares (às vezes milhões) de resultados encontrados e, uma vez escolhidas
aqueles que melhor atendem à nossa curiosidade, resta ainda a dura tarefa de
decidir “o que fazer”, com tais informações e conhecimentos.
O papel do
professor, nesse mundo de múltiplas realidades, torna-se cada vez menos o de
“transmitir” conteúdos – prática que Paulo Freire definia como “educação
bancaria” – e cada vez mais o de “animar inteligências”, compartilhar conhecimentos, RE-construir conceitos.
A tecnologia, as
diversas plataformas de veiculação de conhecimento, a transversalidade das
mídias, nada disso substitui a inteligência humana, a prática da leitura, a
contação de histórias, a música, a poesia. O que, de fato, está condenado à
obsolescência é a velha imagem do “professor sabe-tudo”. A máxima socrática do
“só sei que nada sei”, além de manter-se atual, serve de estímulo para
prosseguirmos em nossa longa jornada do querer saber.
Em meio a tudo
isso, o professor sempre teve, tem e continuará tendo um papel fundamental para
a educação. A inquietação é uma virtude e dela decorre a consciência de que
todos temos muito o que aprender.
Rafael Júnior

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