domingo, 24 de maio de 2015

O PROFESSOR SABE-TUDO

Cerca de quinze anos atrás escrevi um artigo com esse título e, no texto, citava a afirmação do meu antigo professor de geologia econômica, que dizia mais ou menos o seguinte: “o bom geólogo não é aquele pensa que sabe tudo, mas aquele que sabe onde procurar quando precisa”. Em seguida eu também comentava sobre a aplicação dessa afirmação a todas as profissões.
Os anos se passaram e o raciocínio continua válido, embora sejam necessárias algumas adaptações à nova realidade. Nesse alvorecer do terceiro milênio, a informação e o conhecimento viajam em velocidades instantâneas e estão acessíveis a quase todos, em tempo real. De Tóquio a Teresópolis, de Genebra a Jeremoabo, de Nova Yorque a Nova Iguaçu, o planeta está conectado e todos interagem com todos, ou quase.
Nesse contexto, não basta saber “onde buscar” a informação (tudo se acha no Google e, se não estiver no Google, não existe). É necessário, portanto, saber como filtrar os milhares (às vezes milhões) de resultados encontrados e, uma vez escolhidas aqueles que melhor atendem à nossa curiosidade, resta ainda a dura tarefa de decidir “o que fazer”, com tais informações e conhecimentos.
O papel do professor, nesse mundo de múltiplas realidades, torna-se cada vez menos o de “transmitir” conteúdos – prática que Paulo Freire definia como “educação bancaria” – e cada vez mais o de “animar inteligências”, compartilhar  conhecimentos, RE-construir conceitos.
A tecnologia, as diversas plataformas de veiculação de conhecimento, a transversalidade das mídias, nada disso substitui a inteligência humana, a prática da leitura, a contação de histórias, a música, a poesia. O que, de fato, está condenado à obsolescência é a velha imagem do “professor sabe-tudo”. A máxima socrática do “só sei que nada sei”, além de manter-se atual, serve de estímulo para prosseguirmos em nossa longa jornada do querer saber.

Em meio a tudo isso, o professor sempre teve, tem e continuará tendo um papel fundamental para a educação. A inquietação é uma virtude e dela decorre a consciência de que todos temos muito o que aprender.

                                                            Rafael Júnior
                                                         Pedagogo/músico/escritor

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